De onde vem este valor

Todos os anos, o Instituto Nacional de Estatística (INE) apura o coeficiente de atualização das rendas a partir da evolução dos preços no consumidor nos últimos 12 meses, excluindo a habitação. O objetivo é permitir que as rendas acompanhem o custo de vida, sem que a subida do próprio mercado imobiliário alimente esse cálculo.

Por isso, o valor tende a ser mais estável do que a inflação do momento. Em agosto, a inflação homóloga atingiu 3,3%. O coeficiente, por refletir a média de um ano inteiro e deixar de fora a habitação, fixou-se nos 2,56%.

Para 2027, o coeficiente é de 1,0256. Uma renda mensal de 1.000 € pode passar a 1.025,60 €, e uma de 2.500 € a 2.564 €.

Este valor é um limite máximo, não uma obrigação. O senhorio pode aplicar um aumento inferior, ou optar por não atualizar a renda. Em muitos casos, essa decisão pesa a valorização do imóvel face à estabilidade de um bom arrendatário.

Quando e como pode ser aplicado

O coeficiente funciona como regra supletiva. Se o contrato tiver uma cláusula própria, por exemplo uma atualização fixa ou indexada a outro índice, é essa que prevalece.

Na falta de cláusula, a renda pode ser atualizada uma vez por ano, a partir do primeiro aniversário do contrato ou da última atualização. O aumento não é automático: o senhorio tem de comunicar por escrito ao arrendatário, com pelo menos 30 dias de antecedência, o coeficiente aplicado e o novo valor da renda.

Se a atualização não tiver sido feita em anos anteriores, os coeficientes em falta podem, em regra, ser recuperados dentro de um prazo limitado. Isto exige uma análise caso a caso.

Para senhorios, sobretudo quem gere vários imóveis ou vive fora de Portugal, o essencial é o calendário. Cada contrato tem a sua data de aniversário, e uma comunicação tardia ou incompleta pode adiar a atualização.

Para arrendatários, vale a pena confirmar se o aumento respeita o limite e o intervalo de um ano. Convém também verificar se o contrato prevê outra regra de atualização.

Uma atualização de renda é, à partida, um passo simples. Feita no momento certo e bem comunicada, preserva o rendimento do imóvel sem fragilizar uma relação que, muitas vezes, dura vários anos.

Como a VCA pode ajudar

Acompanhamos proprietários, famílias e investidores com imóveis arrendados em Portugal, incluindo quem gere o seu património a partir do estrangeiro. Revemos os contratos e preparamos as comunicações aos arrendatários. Do lado de quem arrenda, analisamos se as atualizações propostas estão corretas. Quando a questão vai além do contrato, por exemplo, na tributação dos rendimentos prediais ou no planeamento patrimonial da família, trabalhamos em conjunto com as nossas equipas de Fiscal e Private Wealth.

Equipa de Arrendamento

Ana Santos Fontes | Inês Alvoeiro